Sobre música e meditação...
- Mar 16, 2018
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Para mim um dos sons mais bonitos do mundo, é o som de um violoncelo bem tocado! É um dos instrumentos que mais me toca a alma, faz arrepiar, sorrir e chorar (não exatamente nessa ordem, hehe).
No ano de 2010, tive a feliz oportunidade de assistir o Stjepan Hauser tocar em uma pequenina capela no interior da Croácia, em Medulim, cidade vizinha de Pula onde então eu vivia. Quando fui convidada para o concerto na capela, fui sem saber quem iria tocar e o que. Ao chegar lá, fiquei muito emocionada ao saber que o rapaz (até então eu não sabia que ele é natural de Pula) que eu adorava ouvir seria o músico a interpretar Astor Piazzolla (que também adoro!) acompanhado por Amadej Herzog, um excelente acordeonista que tocou Piazzolla como poucos! Fiquei emocionada durante toda a apresentação, ouvindo e vendo os dois tocarem lindamente dentro daquela capelinha linda que tornava tudo mais especial... parecia um sonho! Eu tinha chegado há pouco tempo na Croácia e aquele foi o primeiro concerto que eu fui, que sorte a minha!
A música pode conduzir a nossa mente a estados profundos de meditação. A música tem uma capacidade única de nos envolver, emocionar e guiar as nossas ondas mentais... para mim, é como um estado meditativo profundo, onde eu não sou exatamente a condutora do processo, mas sim levada. Para se sentir a música desta maneira, é preciso que a música tenha qualidade meditativa, que seja tocada com muita emoção e competência, e aí sim podemos nos entregar. O nosso ego desaparece... só resta uma profunda emersão no som; uma profunda presença no momento em que a música é tocada; união. Não é fácil dissociar certas músicas de emoções, locais e pessoas; mas como todo processo meditativo, é preciso que haja algum esforço (sadhana) para que o processo aconteça inteiro, sem interrupções ou distrações. É ter a destreza de manter o foco mas ao mesmo tempo se entregar no fluxo do som; estar e não estar...
Muitas escolas de meditação, incluindo a escola em que fui iniciada e a qual escolhi como prática pessoal para a vida, desaconselham o uso de música para o processo de meditação por causa da emoções que pode gerar distraindo a mente. No caso de se escutar música durante a meditação, é aconselhado que ela seja sutil e não oscile muito rapidamente as notas e intensidade, justamente para que a mente se mantenha mais calma e não seja alterada de todo o processo de concentração que geralmente consciente em se concentrar em um ponto (chackra) e utilizar um mantra que é repetido mentalmente em harmonia com a respiração, mas repito, o ideal é que o processo meditativo possa ser feito em completo silêncio para que a mente se mantenha o máximo possível inalterada por sons externos. Mas como existem inúmeras técnicas de meditação, uma das que eu gosto de usar as vezes, é a de me colocar completamente presente no momento e ouvir música bonita (sem letra) e sentir as diferentes emoções que a música me traz, e respirar, relaxar e apenas apreciar a "beleza" do som. Isso é meditação ativa ou meditação. O processo de esvaziar a mente, que erroneamente muitos acreditam ser meditação não é propriamente correto; desativar as ondas mentais não é possível acontecer facilmente como muitos acreditam, nem com música nem sem música (diria que muito menos sem música! A nossa mente pode ser muito mais ruidosa do que uma serra elétrica ligada). Na verdade o processo de parar a mente pode sim acontecer, e para isso basta apenas uma coisa: estar morto! Afinal, nem o estado de coma deixa a mente completamente parada.
Nas meditações nós queremos é fluxo... mas um fluxo sutil, que gere bem estar e relaxamento físico e mental, expansão da consciência e um profundo sentimento de união com a Energia Criadora de Tudo!
Alguns monges budistas, parecem conseguir acalmar profundamente as ondas mentais... mas dispensável mencionar a dedicação e condições ambientais, alimentares e emocionais a que eles se dispõem para atingirem este estado, não é verdade?!
Outra prática de meditação interessante é a pronunciação repetida ou o cântico de mantras, que são palavras em sânscrito que possuem uma força vibracional, energia e ideação muito profundas. O processo de estar a repetir mantras pode induzir a uma meditação profunda e pode ser exponencializado se houver acompanhamento de instrumentos afinados e bem tocados. O cântico de mantras também é uma das minhas formas prediletas e eficazes de meditar profundamente.
Não deixarei recomendação de nenhum mantra nem de técnica de meditação, mas sim um vídeo onde o Hauser toca lindamente uma intervenção da ópera "Thaïs", que se chama Meditação, composta por Massenet em 1894. Tente apenas ouvir e se entregar profundamente no fluxo na música, se unificando a ela. Evite correlacionar quaisquer momentos da sua vida a música, este é o esforço que deve ser treinado. Esteja presente no momento em que cada nota surge... e deixe a mente fluir no doce fluxo da bem-aventurança.
Música meditativa pode ser qualquer uma que eleve o seu espírito e acalme a sua mente!
Namaskar!





















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